• LUGAR E RELEVÂNCIA DA MÍSTICA NUMA SOCIEDADE SECULAR E SECULARIZADA
    v. 74 n. 02 (2020)

    Prezado (a) leitor (a)

    Paz e Bem!

    O ano de 2020 começou promissor. Embora ouvíssemos no ar alguns “boatos” sobre um vírus que, desde fins de dezembro de 2019 estava se espalhando rapidamente pelo mundo a partir da China, a vida seguia seu ritmo. Continuamos fazendo nossos projetos, calculando os riscos para enfrentar os desafios, elaborando estratégias a partir das perspectivas de uma existência normal. Ninguém de nós imaginava que chegaríamos, em menos de dois meses, à maior emergência sanitária da história nos últimos tempos. Em poucas semanas, planos e projetos consolidados desmancharam-se no ar, milhões de vidas foram ceifadas, economias dissiparam-se de uma hora para outra. Embalados pela onda de pânico que grassou por toda parte, a Pandemia de COVID-19 revelou o que de melhor e de pior o ser humano traz em seu coração.

    Demonstrações de profundo respeito pelo próximo, gestos sinceros de solidariedade, partilha e fraternidade, vieram à tona, ao lado de expressões de desprezo pela vida, de desdém pelo diálogo, pelas instituições, pela ciência. “Sairemos melhores dessa” afirmam muitos, certamente na esperança de encontrar algum sentido para tanto sofrimento. Certamente sairemos diferentes. Melhores, talvez. Costumou-se afirmar também que “estamos todos no mesmo barco”. Talvez seja mais acertado afirmar que estamos todos no mesmo rio. O grande rio da vida, mas em barcos distintos. A grande maioria em uns pobres e frágeis barquinhos de madeira, outros agarrados a destroços, para não submergir à força das águas e da correnteza. Outros, bem poucos, confortavelmente acomodados em seus luxuosos transatlânticos.

    Na verdade, a Pandemia, como sói acontecer em momentos extremos, revelou, a muitos de nós, o que somos de fato, o que nos constituiu. Somos feitos de sonhos, embalados por ilusões, vivendo de projetos e esperanças que nem sempre se realizam. Ilusões, imagens, percepções, que se transformam em pó, diante da ameaça de um vírus, que pode pôr fim à nossa existência. Grifes luxuosas, roupas, bolsas e calçados “de marca”, festas dispendiosas, férias no exterior, tudo passou a segundo plano, em nome da defesa da própria vida. A Pandemia levou-nos a terríveis experiências de desumanização: o distanciamento social, a morte na solidão de um quarto de hospital de campanha, a dor dos que ficaram, sem poder se despedir de seus amados com um mínimo de dignidade. Por outro lado, ações e gestos tão banais e cotidianos, passaram a ter um outro valor: o abraço terno e carinhoso na pessoa querida, um encontro com os amigos num fim de tarde, um simples e sincero aperto de mãos, a liberdade de poder ir e vir sem medo de contrair o vírus. Até os sorrisos desapareceram, encobertos pelo protagonismo das máscaras.

    A Pandemia de COVID-19 veio agravar uma série de outras crises, ou até mesmo uma série de outras “pandemias”, que já fazem parte de nosso cotidiano. Talvez a mais séria, raiz e fonte de onde derivam tantas outras “crises”, é a crise do humano. Aos poucos fomos nos esquecendo que não somos imortais, que não somos indestrutíveis, nem super-heróis. Tínhamos solução para todos os desafios e problemas possíveis na face da terra, tudo medido, controlado, quantificado. Até que apareceu no horizonte um mísero vírus invisível, que nos colocou a todos de joelhos. Lembramo-nos, de repente, que somos seres humanos, feitos todos da mesma matéria, todos com um destino comum.

    Apesar dos imensos avanços da tecnologia e da ciência, e das conquistas no campo dos direitos e da dignidade humana, a ganância, a prepotência e a sede de domínio sobre tudo e todos continuam dando as cartas. Estamos trilhando um caminho sem volta. Injustiça social, miséria, fome, desemprego, gerando verdadeiras multidões de “descartáveis”, são as faces mais explícitas deste sistema. Outra face é a destruição sistemática dos biomas e ecossistemas, com os graves desastres ambientais e os fenômenos climáticos cada vez mais severos, ameaçando o futuro da humanidade e de toda a criação, em nome do lucro e do poder desmedido de uns poucos.

    Vivemos num momento de verdadeira “crise”, no sentido mais estrito da palavra. Como em todas as crises, temos a chance de sairmos dessa situação purificados. Uma purificação dolorida, mas necessária, que nos leve à mudança de mentalidade a partir de novos paradigmas, onde o que conta é justamente o humano, e tudo o que lhe diz respeito. A vacina está a caminho. Certamente vamos dominar o vírus. Mas as outras pandemias continuam. Somente a partir de um empenho coletivo, por uma transformação pessoal e comunitária, olhando para além de nossos horizontes estreitos e mesquinhos, poderemos ter alguma esperança de que algo novo possa brotar. A atenção e o desvelo para com os mais frágeis dentre nós, especialmente os pobres, as crianças, os idosos. A abertura ao diálogo e o respeito às diferenças, o cuidado com todas as criaturas e a urgente necessidade de pôr um limite à ganância humana. A emergência sanitária nos obrigou a colocarmos tanta coisa em segundo plano, e até mesmo a descobrirmos o quanto somos dependentes de coisas que, na verdade, são supérfluas. De repente descobrimos que a essência de nosso existir não se define a partir do dinheiro, do poder, do status. Do que precisamos de fato para sermos felizes?

    Este número da Revista Grande Sinal foi elaborado antes da eclosão da Pandemia. Os artigos que aqui apresentamos, no entanto, podem se somar às iniciativas de tantos que buscam refletir sobre a terrível realidade que estamos vivendo. A partir do tema, “lugar e relevância da mística numa sociedade secular e secularizada”, os autores nos conduzem pelas várias vertentes de uma espiritualidade que pode nos fazer seres humanos melhores. Se antes desta tragédia de proporções mundiais a espiritualidade e a mística já apareciam como uma importante aliada no caminho de uma re-harmonização do humano, depois da COVID-19 isto tornou-se quase um imperativo.

    O professor e pesquisador Martín Carbajo, frade franciscano espanhol, atualmente trabalhando em Roma, junto à Pontifícia Universidade Antonianum, autor de inúmeros livros e artigos, nos oferece uma reflexão a respeito da inspiração do papa Francisco na elaboração da Laudato Si’. No artigo intitulado “Místico e peregrino: Francisco de Assis, inspirador da Laudato Si’”, o autor destaca a importância da espiritualidade de Francisco de Assis na elaboração da Encíclica do papa sobre o meio ambiente. Uma mística que motiva para a ação pessoal e comunitária, sem voluntarismo, mas com uma verdadeira “paixão pelo cuidado do mundo”, como afirma o Papa no documento. Diante dos profundos desafios na vivência de uma ecologia integral, onde o humano e todas as criaturas partilhem do mesmo destino comum, fica cada vez mais evidente a necessidade de uma transformação do coração, mais do que da cabeça. A tradição intelectual franciscana, sistematizada pelos mestres como Boaventura e Alexandre de Hales, representam uma alternativa ao atual paradigma tecnocrático, que reduz tudo a objeto de análise e dissecação, com o intuito de domínio. Na Escola Franciscana, como afirma o autor, “conhecer é reconhecer, é deixar-se abrir para o mistério, é crescer em sabedoria e em capacidade de amar”. Indicações e inspirações muito oportunas e atuais.

    A professora e teóloga equatoriana María Alejandra Andrade, socióloga e especialista em cooperação internacional para o desenvolvimento, nos provoca com uma reflexão acerca da espiritualidade como um fenômeno antropológico e universal, enquanto capacidade intrínseca a todo ser humano. Como afirma a autora, aquilo que se convencionou denominar crise ambiental e crise da humanidade, na verdade são consequências da ruptura das relações com Deus, com os outros, consigo mesmo e com toda a criação. Essas relações fragmentadas deram origem ao que ela denomina uma verdadeira “desconexão cósmica”, que, em outras palavras, é uma verdadeira “crise de espiritualidade”. Chegamos a tal ponto de ruptura que somente uma “espiritualidade regenerativa” poderá permitir à humanidade estabelecer novos parâmetros de relações, que priorizem a inter-dependência, a interconexão e o cuidado, sobrepondo-se à acumulação, à ganância, à competição e ao capital.

    Reflexões em torno à minoridade: de Francisco de Assis a Francisco de Roma, é o título do artigo escrito a quatro mãos pelos freis Aldir Crócoli, frade capuchinho missionário no Haiti, e frei Vanildo Zugno, também capuchinho e professor na Estef (Escola Superior de Teologia e Estudos Franciscanos), de Porto Alegre. A minoridade é um elemento fundante do carisma franciscano. É a base e o princípio de sua experiência relacional com o Criador, com os irmãos, e com todas as criaturas. Nas atuais circunstâncias, onde a prepotência e a autorreferencialidade nos conduziram a situações extremas de desumanização, de risco aniquilação da natureza e de todas as criaturas, a reflexão a respeito da minoridade de Francisco de Assis é pertinente e atual. Guardadas as devidas diferenças de contexto, os autores buscam fazer uma relação no modo de expressar a minoriade entre os dois Franciscos: o de Assis e o de Roma. Nesta edição, trazemos a primeira parte do artigo.

    Por ocasião da comemoração dos cinco anos da publicação da Encíclica Laudato Si’, Moema Miranda, professora do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis, com um destacado engajamento na discussão dos conflitos e busca de soluções para as questões ambientais, faz uma avaliação da incidência da Encíclica, os avanços, os retrocessos, as esperanças que persistem no horizonte. No artigo intitulado Laudato Si’, 5 anos: Esperança e a perigosa arte de nomear demônios, Moema vai desvelando os meandros de todo o rico aparato que possibilitou ao Papa Francisco produzir este que é certamente o mais importante documento a respeito daquilo que conhecemos como “ecologia integral”. Ao mesmo tempo abrangente e instigante, o artigo deixa no ar o odor da esperança que brota do engajamento profético pelas grandes causas. O artigo de Moema também terá continuidade no próximo número.

    Na parte intitulada “Reflexões”, trazemos a primeira parte de um artigo do Redator da Revista, frei Sandro Roberto da Costa, sobre a Ordem das Viúvas. Uma Ordem que finca suas raízes nas origens da história da Igreja, e que após o Vaticano II começou a ser redescoberta, como uma possibilidade de realização de viúvas (e possivelmente viúvos), a serviço da Igreja.

    Nestes tempos sombrios, muito se empregou a palavra “isolamento”, “distanciamento”. São expressões que traduzem uma necessidade, na tentativa de evitar a propagação de um mal que se multiplica através dos contatos humanos. No campo da mística também estas expressões costumam ser usadas, para expressar os meios de se alcançar uma maior sintonia espiritual. O professor Francisco Fresneda, da Universidade de Múrcia, na Espanha, nos ajuda a refletir sobre o itinerário da mística cristã, não como isolamento, como fechamento num egocentrismo e intimismo inócuo, mas como inserção, participação e transformação fecunda na história, a partir do exemplo do próprio Jesus de Nazaré. Como o autor questiona em seu artigo: “Por que o cristianismo não pode admitir um contraste entre a vida ativa e contemplativa? Por que tantos mestres de espiritualidade igualam oração e serviço aos pobres? A resposta será buscada a partir das Escrituras, lidas segundo a interpretação franciscana.

    Na sessão Textos Seletos, Frei Amir Ribeiro Guimarães, ex-Redator desta Revista, tece oportunos comentários sobre vários pronunciamentos do Papa Francisco nos tempos da Pandemia, reunidos numa publicação da Libreria Editirce Vaticana, intituladas “Vida após a Pandemia”.

    A experiência que todos estamos vivenciando nestes tempos difíceis certamente terá incidência sobre nosso modo de nos colocarmos no mundo. Muitos de nós descobrimos que várias das atividades “extremamente importantes” que realizávamos, na verdade podiam ser e foram, de fato, substituídas, ou até, desapareceram. Esta situação nos fez distinguir entre o que é essencial e o que é transitório, passageiro, e até supérfluo em nossas vidas. A simplicidade e a praticidade suplantaram a sofisticação desnecessária, e nos permitiram valorizar mais as coisas do espírito. A busca pelo transcendente, no entanto, não nos desobriga do compromisso no engajamento pela transformação das realidades humanas. Não são realidades opostas ou em conflito. Pelo contrário, a busca da simplicidade pode liberar espaço para que nos preenchamos daquilo que é essencial, irrenunciável e necessário: o que dá verdadeiro sentido à nossa existência e nos fortalece na luta. Os artigos deste número podem nos fornecer preciosas indicações neste caminho. Boa leitura.

     

    Frei Sandro Roberto da Costa, ofm

    Redator

  • ESPIRITUALIDADE E MÍSTICA NO SÉCULO XXI
    v. 74 n. 01 (2020)

    Prezado (a) leitor (a),

    Paz e Bem!

    Vivemos num mundo hiperconectado. Embora os fios e tomadas ainda façam parte de nosso cotidiano, bluetooth, wireless, cloudy (nuvens), tornam-se termos cada vez mais usuais e comuns em nossas relações e funções. Essa ausência física de fios, longe de significar um “desligamento”, ao contrário, nos conecta cada vez mais a um mundo virtual de intrincadas e espessas redes, das quais nem sempre nos damos conta, e das quais não podemos nos esquivar e nem controlar. Qualquer pessoa hoje percebe que vivemos num momento de grandes transformações. A comunicação tornou-se global. Somos o tempo todo bombardeados por informações de todos os tipos, de todas as partes do mundo, de modo tal, que não temos nem tempo de digerilas ou de assimilá-las. Celulares, computadores e tablets tornaram-se itens indis- pensáveis a uma vida dita “normal”. O antigo desejo de que as coisas pudessem ser resolvidas “num passe de mágica”, hoje torna-se realidade, quando quase tudo pode ser resolvido apenas com um toque na tela do celular ou num click do mouse do computador. Se é inegável o fato de que o avanço da tecnologia trouxe inúmeros ganhos para a humanidade, em termos de comunicação e acesso à informação, também não podemos fechar os olhos às consequências negativas de tais avanços, principalmente às camadas mais jovens da população. Ansiedade, depressão, isolamento e solidão, comportamentos antissociais, déficit de atenção, são apenas alguns dos sintomas gerados pela hiperconectividade. Sem falar no uso nocivo das redes sociais para manipular as mentes a serviço de interesses econômicos ou ideologias, como estamos presenciando através das fake news, principalmente a serviço de uma política nefasta e sem compromisso com a defesa da vida e dos direitos das pessoas e das criaturas.

    Os especialistas no assunto afirmam que estamos apenas no início de grandes transformações, que vão gerar um novo tipo de ser humano. Já se afirma que, mais do que numa época de mudanças, vivemos numa “mudança de época”. Nesse sentido, poderíamos nos perguntar: neste novo mundo que aos poucos se configura, neste novo modo do ser humano se compreender, haverá lugar para a religião, para a mística, para as questões relacionadas ao espírito? Diante da onipresença e onipotência das máquinas (sem falar da onisciência), existirá espaço para o transcendente? E, se a resposta for positiva, como se relacionar com ele? Contemplação, meditação, mística não são conceitos exclusi- vos do cristianismo. Todas as denominações religiosas oferecem meios e instrumentos que possibilitem aos seus adeptos o contato mais profundo com o transcendente. É fato inegável que, seja qual for a deno- minação religiosa que alguém siga, as transformações acima citadas trazem consequências profundas sobre o ser humano como um todo. Nesse sentido, o modo de se relacionar com o divino e com o humano, suas expectativas religiosas, a busca de sentido ou a falta dele, serão vivenciados e elaborados a partir e dentro destes novos paradigmas.

    Diante do cenário que aos poucos se descortina, com todas as suas imensas possibilidades e desafios, a redação da Revista Grande Sinal oferece a seus leitores algumas reflexões que podem ajudar a destacar alguns aspectos de uma vivência da espiritualidade para esta segunda década do século XXI.

    “Vida mística no cotidiano: os rostos de Deus” é o título do artigo que nos oferece Martín Carbajo, professor da Pontifícia Universidade Antonianum de Roma, além de outras prestigiosas instituições. O autor desenvolve ampla pesquisa na área da ética no mundo das relações virtuais. Como o próprio título explicita, o texto se propõe, à luz da exortação apostólica “Gaudete et Exsultate” do papa Francisco, a refletir sobre uma espiritualidade do dia a dia. E nessa realidade cotidiana, encontrar o rosto de Deus que se desvela das mais variadas formas. Como afirma o autor, estamos todos imersos num verdadeiro “ecossistema midiático”, num mundo hiperconectado, cheio de apelos tecnológicos e de consumo. Mas o desejo de sentido, verdade e unida- de permanecem a aspiração mais profunda do ser humano. Cultivando a capacidade de saborear o valor do silêncio e da contemplação, assumindo uma mística do cotidiano, seremos capazes de encontrar Deus nos rostos dos seres humanos e em todas as criaturas.

    Na linha da espiritualidade ecológica, Fábio Cesar Gomes faz uma profunda reflexão sobre o tema, intitulado: Itinerarium mentis in Deum: Uma proposta de espiritualidade ecológica. O Itinerarium é uma das obras mais conhecidas do franciscano São Boaventura, ilustre pensa- dor medieval do século XIII. Como o autor bem explicita, na obra de Boaventura não se encontra o termo “ecologia”, que não pertencia ao horizonte teológico-espiritual da Idade Média. Porém, detalha, “cremos que não estamos pecando de anacronismo, mas, realizando um procedimento plausível, uma vez que adotamos um método legítimo de leitura do texto, aquele hermenêutico, segundo o qual, uma vez salvaguardadas as diferenças de contextos históricos, teológicos e existenciais nos quais um texto surgiu, a intencionalidade do seu leitor pode dialogar com aquela do seu autor”. Certamente, diante da desafiadora realidade proposta pela crise ambiental, e diante das iluminadas su- gestões do papa Francisco sobre o tema, é legítimo, urgente e oportuno nos debruçarmos sobre uma “espiritualidade ecológica”.

    Uma das mais sérias crises em que estamos mergulhados nestas primeiras décadas do século XXI é a crise ecológica. As causas de tal crise são inúmeras e complexas, mas passam também pelo modo como o ser humano se relaciona com as criaturas, com os bens, com os outros. Poderíamos afirmar que, antes de ser fruto do descaso com a natureza e as criaturas, é fruto de um modo próprio de se conceber o lugar do ser humano no mundo. Em maio de 2015, o papa Francisco lançou a Carta Encíclica Laudato Si’: sobre o cuidado da casa comum. O professor Breno Herrera da Silva Coelho, ecólogo, profundamente envolvido na área da educação e preservação ambiental, nos apresenta uma sistematização desta Encíclica, a partir de quatro perspectivas centrais que a perpassam: espiritualidade franciscana, envolvimento ecumênico, crítica ao capitalismo predatório e ênfase na responsabilidade humana. Papa Francisco, na sua Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Querida Amazônia” (53), insiste na urgência de despertarmos para o cuidado da casa comum: “Muitas vezes deixamos que a consciência se torne insensível, porque ‘a constante distração nos tira a coragem de advertir a realidade dum mundo limitado e finito’. Se nos detivermos na super- fície, pode parecer ‘que as coisas não estejam assim tão graves e que o planeta poderia subsistir ainda por muito tempo nas condições atuais. Este comportamento evasivo serve-nos para mantermos os nossos estilos de vida, de produção e consumo. É a forma como o ser humano se organiza para alimentar todos os vícios autodestrutivos: tenta não os ver, luta para não os reconhecer, adia as decisões importantes, age como se nada tivesse acontecido’”.

    Rafael van Erven Ludolf, ativista na defesa dos direitos dos animais, membro do Grupo Espírita Servidores de Jesus, nos oferece uma reflexão sobre a comunicação não violenta. Inspirando-se no encontro de Francisco de Assis com o sultão Malik al-Kamil, oitocentos anos atrás, e fazendo uma relação com as propostas da comunicação não-violenta, estruturada pelo psicólogo Marshall Rosenberg, Rafael sugere que nos empenhemos na construção de uma comunicação que “leva os seres a se entregarem de coração e a se conectarem a si mesmos e aos outros de maneira tal que permite que a compaixão natural floresça, que o diálogo para a paz e a cultura do encontro aconteça”. Certamente este é o melhor antídoto às fake news que brotam por toda parte, criando divisões, alimentando o ódio e a intolerância.

    A crise de autoridade é uma realidade constatada em todos os setores. É cada vez mais raro encontrar verdadeiros líderes, que sejam capazes de motivar e entusiasmar seus seguidores pela autoridade e exemplo de vida. Nesse sentido, Miguel Kleinhans nos oferece uma pertinente reflexão sobre a espiritualidade do serviço desinteressado, caritativo e fraterno, visando, sobretudo o bem do outro. O autor faz uma interessante análise da relação entre a autoridade, o poder e o serviço, especificamente na vida das irmãs Clarissas, de clausura. A análise das relações de poder neste peculiar e plurissecular estilo de vida, serve de inspiração para a construção de relações positivas e construtivas entre poder e autoridade em tantos outros ambientes, onde se tem como referência a busca do bem comum. Como ilustra Kleinhans: “os princípios de liderança baseados na espiritualidade francisclariana são antigos e, ao mesmo tempo, inovadores e revigorantes. O poder, para ser bem exercido, exige o sensível e delicado equilíbrio entre a ‘autoridade’ e o ‘serviço’”.

    No artigo Sinodalidade: escuta e comunhão na vida e missão da Igreja, Adenilson Tadeu Quirino se debruça sobre o tema em questão, a partir do pensamento do papa Francisco, na perspectiva da escuta  e da comunhão. Como afirma Adenilson, o Pontífice tem insistido “na importância de uma Igreja que seja capaz de sair de si mesma para ir ao encontro das pessoas, que esteja disposta a caminhar lado a lado com os homens e mulheres de nosso tempo, que se adestre na arte   da escuta, que procure estreitar laços e ser promotora de comunhão”.

    Caminhar juntos, escutar, estreitar laços, são todas expressões que remetem à urgência de relações mais humanas e humanizadoras, num tempo marcado pelo individualismo dos meios virtuais, pela fluidez das relações, quando não conseguimos nos desgrudar da tela do celular, incapazes de reconhecer o irmão que caminha ao nosso lado, ou de nos compadecermos de quem sofre perto de nós.

    “Campanha da Fraternidade 2020: Cuidar da vida, cultivando a compaixão”, é o título da reflexão de Henrique Cristiano José Matos, a partir de uma releitura do texto-base da Campanha da Fraternidade deste ano. Inspirados pelo testemunho de vida de Santa Dulce dos pobres, e pela ternura e compaixão que brotam da leitura da parábola do Samaritano, somos convidados ao exercício de olhar, interiorizar, cuidar da vida, como valor definitivo e último. Só assim poderemos “reconstruir a história, aquecer o coração desesperado, iluminar quem está na escuridão, abrir os braços a quem precisa de carinho e atenção, fazer-se presente onde ninguém deseja ou quer ficar” [Texto-base, 136].

    As reflexões apresentadas neste número da Grande Sinal buscam, cada uma em sua especificidade, oferecer pistas para a vivência de uma espiritualidade encarnada em nosso tempo. São tantos e urgentes os desafios, os questionamentos, as transformações que nos sur- preendem a cada dia. Diante das mudanças, podemos ser atingidos pelo “vírus” da acomodação, ou do desespero, ou da paralisia. Mas tam- bém são muitas e imensas as possibilidades escondidas, que podem ser desveladas e trazidas à luz. O importante é o empenho de cada um na busca de respostas e possibilidades para uma vida espiritual autêntica e original, com empenho e confiança. As reflexões apresentadas nesta edição, são apenas algumas indicações, dentre tantas outras possíveis, oferecidas com carinho por nossos colaboradores. Que elas possam ser lume a indicar o caminho, para que possamos seguir em frente, com entusiasmo e audácia, sem perder a esperança. Boa leitura!

    Frei Sandro Roberto da Costa, ofm

    Redator

  • FRANCISCO E O SULTÃO (II): 800 anos de um encontro histórico
    v. 73 n. 02 (2019)

    Prezado (a) leitor (a) Paz e Bem!

    Neste segundo número da Revista Grande Sinal deste ano de 2019 optamos por continuar oferecendo aos leitores reflexões relacionadas ao diálogo inter-religioso, explorando ainda o rico tema do encontro de São Francisco de Assis com o sultão. A opção se justifica a partir da constatação da imensa gama de possibilidades de reflexões e interpretações que o assunto suscita ao nosso tempo. Vivemos num mundo carente de humanismo. Corremos o risco de nos deixarmos levar pela onda de intolerância, radicalismo e rispidez que parecem imperar nas relações humanas. Francisco de Assis e sua contínua “sede de humanidade”, particularmente vislumbrada no encontro com Malik al-Kamil, pode nos oferecer balizas que nos indiquem por onde caminhar em busca de tempos menos sombrios. O fato em si, da ida de um monge pobrezinho e desarmado ao encontro de um dos homens mais poderosos do Oriente, que sintetizava em si toda a violência das cruzadas, causou estupor aos seus contemporâneos. Com o passar do tempo, o evento foi sendo “reapropriado” das mais diversas maneiras, de acordo com as intenções dos que liam os fatos e os interpretavam a partir de seus interesses e opiniões. Certamente nós também não estamos isentos de fazer nossas próprias interpretações e tirar conclusões a partir do nosso contexto. Mas isso apenas confirma a riqueza de possibilidades e a importância deste encontro, para além de seu tempo.

    Os vários relatos elaborados “a posteriori” ao encontro de Francisco com o sultão mostram-no ora como mártir, ora como missionário, ou orador ou apóstolo da Igreja primitiva. Chega-se à conclusão de que “Francisco... parece estar fora dos esquemas e sua experiência cristã impossível de se encaixar nos cânones da perfeição então vigentes”. A partir desta constatação, o professor da Pontifícia Universidade Antonianum, de Roma, frei Giuseppe Buffon, partilha conosco o artigo intitulado Francisco, o louco de Deus. O próprio Francisco afirmara no início de sua conversão que queria ser “um novo louco no mundo”. Quanto à missão, especialmente em relação aos “infiéis”, em que consiste essa “loucura” de Francisco? É o que responde o autor em sua exposição.

    A cortesia, o respeito ao outro, a singeleza de vida eram características marcantes da personalidade de Francisco de Assis. A violência nas batalhas entre cristãos e muçulmanos, que vivenciou pessoalmente, bem como os jogos de interesses escusos, que justificavam o massacre e o saque a qualquer preço, lhe deixaram profundas marcas na alma. Mas lhe impressionaram também a profunda religiosidade e piedade do mundo islâmico. O Padre Enio Marcos de Oliveira, no artigo intitulado Francisco de Assis, Ternura e Profecia, ou o natal em Greccio discorre sobre o impacto da experiência de Francisco na Terra Santa, que se expressou através de um gesto que marcou a história da piedade cristã: o presépio em Greccio. Segundo o autor, para Francisco “o mundo é o nosso claustro”, e “toda a terra é Santa, e Greccio é a nossa Belém”. Ora, a partir dessa perspectiva, as cruzadas deixavam de ter sentido, pois, se toda a Terra é Santa, não fazia mais sentido a guerra, o derramamento de sangue e a morte por amor aos lugares santos. Com este gesto Francisco reafirma que “a guerra, nenhuma guerra agrada a Deus, pois Jesus se fez pequeno na singeleza do presépio e assim santificou toda a terra e todos os homens e todas as mulheres”.

    No Capítulo das Esteiras de 1217, Francisco de Assis enviava os primeiros frades em missão à Terra Santa. Desde então, entre vicissitudes históricas, desafios e fidelidade à missão, os filhos do “poverello” buscam, fiéis ao espírito do fundador, e seguindo os ditames do Evangelho, ser instrumentos de diálogo, respeito e tolerância não apenas na Terra Santa, mas em todo o Oriente. Frei Jean Ajluni nos apresenta um relato histórico sobre esta presença tão significativa, mas destaca também a importância da atuação dos frades na Terra Santa hoje, ocupados em cuidar não apenas das “pedras” históricas, mas, principalmente, das pedras vivas, que são as pessoas. Nesse sentido, destaque-se a presença franciscana especialmente nas zonas de guerra, como a Síria, mas também na acolhida e cuidado dos refugiados. Como afirma o autor, “é fato admirável o trânsito que os franciscanos possuem entre os países onde realizam sua missão, e as pontes que constroem e mantêm principalmente entre a população cristã do Levante, em lugares que nem mesmo grandes organismos internacionais conseguiriam fazê-lo”. A Terra Santa também é lugar privilegiado para o estudo das origens de nossa fé, através dos centros de estudos mantidos pelos franciscanos, o Studium Biblicum Franciscanum e o Studium Theologicum Jerosolymitanum.

    A representação iconográfica do encontro de Francisco com o sultão teve grande sucesso ao longo da história. Os artistas, cada um a partir de sua especialidade e de seu contexto, procuraram expressar o modo como interpretavam o evento. O artigo de Adriano César de Oliveira, O encontro de São Francisco com o sultão Malik al-kamil: das representações pictóricas à ética da hospitalidade, propõe um itinerário de reflexão sobre o modo como a expressão pictórica pode nos interligar à espiritualidade e aos valores que pretendem expressar. Nem sempre estes dados são imediatamente perceptíveis. É preciso uma “chave de leitura” para poder adentrar nos ricos meandros que a arte encerra.

    Muitas instituições tradicionais encontram-se em crise ou transformação, incluindo-se aí a vida religiosa. Diminuem os ingressos, as comunidades envelhecem, as estruturas parecem engessar as possibilidades de renovação. Na sessão Reflexões Frei Martín Carbajo, professor da Pontifícia Universidade Antonianum, de Roma, nos oferece uma instigante reflexão, intitulada “Revitalizar a vida religiosa hoje: desafios éticos e Leadership”. Segundo o autor, corremos o risco de, em nome de um passado meritório e grandioso, não conseguirmos mais dar respostas pertinentes às grandes questões da atualidade, ou de fazermos pequenos ajustes, para se manter tudo como está. É preciso coragem para se transformar e se renovar, com esperança e à luz da fé. Mas para mudar é preciso também liderança. Que tipo de liderança? A vida fraterna é o caminho. Como afirma o autor, as pessoas esperam dos religiosos que sejam “expertos de relações humanas, e que suas comunidades sejam exemplo de interculturalidade harmoniosa”. Nas Reflexões trazemos também um artigo de Magaly Oberlaender, sobre a Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Rio de Janeiro. Uma das mais belas igrejas da “cidade maravilhosa”, mas pouco conhecida. A autora detém-se não apenas sobre a importância artística e cultural deste monumento ímpar, mas também sobre seu protagonismo na evangelização na cidade do Rio de Janeiro. Uma reflexão de frei Wagner José da Rosa, sobre O descanso litúrgico na Encíclica Laudato Si’, e a segunda parte do artigo de frei Walter de Carvalho Júnior sobre A vocação única (laical), do frade menor, fecham as Reflexões. 

    Temos em mãos, através de nossos colaboradores, muitos temas que podem qualificar nossa vida pessoal, espiritual e pastoral. Que possamos aproveitar bem dos textos oferecidos. Boa leitura!

    Fr. Sandro Roberto da Costa, ofm

    Redator

  • FRANCISCO E O SULTÃO: 800 anos de um encontro histórico
    v. 73 n. 01 (2019)

    Prezado (a) leitor (a) Paz e Bem!

    Em março deste ano o papa Francisco viajou aos Emirados Árabes Unidos, para encontrar-se com a minoria católica, mas também com as autoridades islâmicas que dirigem aquele país. Foi um encontro histórico, que sublinhou, entre os tantos gestos proféticos deste papa vindo “do fim do mundo”, a importância do diálogo inter-religioso. O presente que o papa deu ao príncipe herdeiro também serviu para lembrar o motivo da viagem: uma medalha, com uma representação do encontro de São Francisco com o Sultão do Egito, ocorrido em 1219. Um encontro marcado pelo respeito mútuo, pela escuta sincera e pela cortesia. Neste ano de 2019, celebramos os 800 anos deste evento memorável. A realidade que estamos vivendo, no entanto, revela um recrudescimento da intolerância e do ódio, do fechamento ao diálogo, e até o esforço pela eliminação do diferente, por motivos religiosos, raciais e culturais. Diante dessa situação, torna-se cada vez mais urgente reforçarmos iniciativas, gestos e ações que privilegiem a abertura ao diálogo, o respeito às alteridades, a cortesia nas relações humanas. O gesto de Francisco de resolver ir desarmado ao encontro do Sultão do Egito, num momento em que cristãos e muçulmanos estavam se exterminando em meio ao ódio e a violência, é um verdadeiro paradigma para a construção de relações dialogais e fraternas. Por isso a Revista Grande Sinal resolveu dar um destaque maior a esse evento, que pode nos inspirar a rever alguns de nossos conceitos, e também nos ajudar no esforço por transformar nosso modo de pensar e de agir frente às inúmeras diferenças com as quais convivemos no dia-a-dia.

    Inauguramos esta edição com um texto do Custódio da Terra Santa, Frei Francesco Patton, ofm. Nesta cidade, sagrada para as três “religiões do livro”, os franciscanos vivem, na concretude do dia a dia, o esforço de serem homens de diálogo e construtores da paz. Naquele encontro acontecido há oito séculos nas areias do Egito, os seguidores do homem de Assis encontram inspiração para viverem num ambiente de maioria muçulmana, evitando o confronto, a polêmica e a controvérsia. Como afirma frei Patton, “no momento em que retornam a ideia de contraste e a ideologia da incompatibilidade e incomunicabilidade entre diferentes culturas e religiões, o encontro de Damieta está aí para demonstrar o contrário, que somente o encontro e o diálogo produzem frutos a longo prazo”. Frei Sandro Roberto da Costa, professor de História do Cristianismo no Instituto Teológico Franciscano, nos sugere algumas pistas de reflexão a partir do contexto histórico das Cruzadas e das relações entre cristãos e muçulmanos no tempo de Francisco. Para ir ao encontro do Sultão, o poverello não se deixou levar pelo senso comum que dominava a cristandade medieval, que considerava o islã, e particularmente o Sultão, a “besta fera” a ser eliminada. Destacar o diálogo como elemento essencial da espiritualidade franciscana na inter-religiosidade, construído a partir da pluralidade de caminhos que levam a Deus, é a proposta do artigo de frei Vitório Mazzuco, mestre em espiritualidade. Como bem afirma o autor, não podemos mais pensar que “uma única tradição religiosa seja capaz de dispor sozinha da verdade única sobre Deus... cada religião é portadora de uma singularidade muito específica”. Frei Ivo Müller, Comissário da Terra Santa, partilha com os leitores algumas experiências concretas de encontro e diálogo, vividas a partir de seu contato mais próximo com a Terra Santa, e com o islã, em particular. Na sessão “textos seletos” reproduzimos a Carta do Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, frei Michael Perry, sobre os 800 anos do Encontro de Francisco com o Sultão, dirigida a todos os franciscanos e franciscanas, mas também aos irmãos muçulmanos. Um texto profundo, que nos questiona sobre quais ações e palavras agradariam a Deus no meio do pluralismo e da complexidade do mundo de hoje.

    Na sessão denominada Reflexões, partilhamos um artigo de Dom Edson Oriolo, bispo auxiliar de Belo Horizonte. A partir da análise de vários pronunciamentos do papa Francisco, ele nos oferece uma reflexão sobre o papel do sacerdote nesta “Igreja em saída” do papa Francisco: O Ministério Sacerdotal para uma Igreja em saída seguindo o papa Francisco é o título de seu artigo. Segundo o autor, carinho, acolhimento, e compaixão de Deus são os pilares no exercício do ministério sacerdotal. O prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior faz um impressionante levantamento dos nomes de cristãos assassinados pelos regimes totalitários, canonizados ou não, que antecederam a realização da grande assembleia convocada por João XXIII, e daqueles que, durante ou após o Concílio, foram presos ou mortos, por causa da fé. Santos e Mártires do Concílio Vaticano II é o título de sua reflexão. O sangue destes homens e mulheres, verdadeiros profetas, derramado em prol da justiça, em favor dos irmãos e irmãs, e na fidelidade à vocação assumida pela causa do Evangelho, fecundou e continua a fecundar a Igreja, confirmando a expressão de Tertuliano: O sangue dos mártires é semente de novos cristãos. Frei Oton da Silva Araújo Júnior, Doutor em Teologia Moral, oferece-nos uma reflexão sobre A mística familiar de Francisco e suas implicações. Utilizando-se dos escritos franciscanos, o autor faz uma interessante análise sobre uma semântica pouco explorada na espiritualidade franciscana: a Ordem Franciscana como uma família. Com um texto intitulado A Vocação única (laical), do frade menor, frei Walter de Carvalho Júnior, irmão leigo da Ordem dos Frades Menores, nos ajuda a refletir sobre a verdadeira vocação do frade menor. Como destaca frei Walter, há uma única vocação franciscana, cuja fonte é o batismo. A vocação franciscana não está, em nada, vinculada a um estatuto clerical. Neste número apresentamos a primeira parte desta rica reflexão. Fechamos esta sessão com um artigo sobre Thomas Merton, um dos maiores místicos e mestres espirituais do século XX. Paula Regina de Oliveira Reis da Silva, aluna do curso de Teologia do Instituto Teológico Franciscano, faz um estudo de sua obra O Homem Novo, onde o autor aprofunda o processo de crescimento espiritual do ser humano, a partir da doação de si mesmo.

    Este número da Grande Sinal traz algumas novidades: além do novo Redator, Frei Sandro Roberto da Costa, a partir desta edição a Revista será disponibilizada integralmente na internet (https:// grandesinal.itf.edu.br/GS). Também nossa periodicidade, a partir deste ano, será semestral. Esperamos que as reflexões propostas neste número possam nos inspirar no caminho do diálogo, no respeito a todas as pessoas e criaturas, a partir das exigências do Evangelho. Boa leitura!

    Frei Sandro Roberto da Costa, ofm

    Redator